Meu relato de parto: do medo ao nascimento do João Guilherme

Recém-nascido recebendo os primeiros cuidados após o parto no hospital

Desde que descobri que estava grávida, uma das coisas que mais me assustava era o parto.

Na verdade, o medo do parto sempre fez parte da minha vida. Antes mesmo de pensar em ser mãe, eu já tinha esse pavor. Tanto que eu nem tinha aquele sonho de ser mãe, justamente porque tinha muito medo de passar pelo parto.

Quando descobri a gravidez, esse medo ficou ainda maior. A gente acaba encontrando muitos relatos negativos, histórias difíceis e experiências que assustam, e isso fez com que eu começasse a pensar ainda mais em como seria o meu parto.

Mas, em vez de ficar apenas com medo, decidi começar a estudar e entender melhor o que poderia acontecer.

Comecei a estudar sobre o parto

Já no oitavo mês de gestação, comecei a pesquisar sobre os tipos de parto, contrações, sinais de trabalho de parto, exercícios, massagens e tudo o que pudesse me ajudar a entender melhor aquele momento.

Depois de buscar informação, decidi que gostaria de tentar o parto normal.

Ao mesmo tempo, também fiz uma promessa a mim mesma: se, por algum motivo, o parto normal não fosse possível e eu precisasse de uma cesárea, eu não ficaria triste comigo mesma e nem me sentiria decepcionada.

Eu faria o que fosse necessário para que meu filho nascesse com segurança.

E foi exatamente assim que aconteceu.

João Guilherme estava previsto para nascer no dia 3 de dezembro

O João Guilherme estava previsto para nascer no dia 3 de dezembro, quando completaria 40 semanas de gestação.

Mas o dia chegou… e ele não nasceu.

Depois disso, comecei a ir ao hospital praticamente um dia sim e outro não para fazer cardiotoco e acompanhar os batimentos cardíacos dele.

Quando completei 41 semanas, chegou o momento de me internar para que a equipe pudesse acompanhar de perto a situação e conduzir o nascimento.

E foi aí que aconteceu uma coisa que eu mais temia: eu precisaria me internar para uma possível indução.

Meu maior medo era precisar de uma indução

Durante a gravidez, eu tinha assistido a muitos relatos de parto. E vários deles falavam sobre indução.

Por isso, eu tinha muito medo de precisar passar por esse processo. Eu ouvia relatos de mulheres dizendo que as contrações poderiam ser mais dolorosas e que a experiência poderia ser mais difícil.

Então, quando completei 41 semanas, precisei me internar para uma possível indução.

Só que havia um detalhe: a maternidade estava muito lotada e não havia vaga para iniciar a indução.

Fiquei internada na quarta-feira, dia 10 de dezembro, esperando.

Passei aquele dia inteiro no hospital e nada aconteceu.

Na quinta-feira, continuei internada. Meu marido chegou a ir para casa descansar, enquanto minha cunhada ficou comigo.

Os exercícios que antecederam o trabalho de parto

Foi nesse momento que minha cunhada começou a colocar no YouTube alguns vídeos com exercícios para ajudar a entrar em trabalho de parto.

Durante toda a gravidez, eu tinha sido bastante sedentária. Não praticava exercícios e também não tinha feito nenhum exercício específico para tentar favorecer o parto normal.

Mas naquele momento, resolvi tentar.

Fiz dois vídeos de exercícios, inclusive um da Laura Padilha.

E logo depois que terminei os exercícios, aconteceu algo que ainda não tinha acontecido durante a minha gestação: meu tampão mucoso saiu.

Até aquele momento, ele ainda não tinha saído.

Uma médica chegou a olhar e disse que era normal e que provavelmente era o tampão.

Isso aconteceu por volta das 17 horas.

Continuei internada, meu marido voltou, minha cunhada foi embora e chegou a noite.

Fomos dormir.

À meia-noite, minha bolsa rompeu

Por volta da meia-noite, senti algo quente jorrando.

Na mesma hora, falei para o meu marido:

“A bolsa estourou.”

Era uma sensação de algo quente saindo e que não parava.

Chamamos a enfermeira, e ela confirmou que realmente era a minha bolsa.

A médica foi me avaliar e constatou que eu estava com aproximadamente 2 centímetros de dilatação.

Então fui encaminhada para a sala onde seria acompanhada para uma possível indução.

Eu não cheguei a ser induzida

É importante explicar essa parte porque, apesar de eu ter sido internada para uma possível indução, a indução medicamentosa não chegou a acontecer.

Quando fui encaminhada para a sala de indução, a equipe estava aguardando a evolução da minha dilatação.

A princípio, eles queriam observar se eu conseguiria evoluir sozinha para evitar o balão e, quando eu chegasse aos 5 centímetros de dilatação, colocar diretamente o comprimido.

Mas antes que isso acontecesse, meu trabalho de parto continuou evoluindo naturalmente.

Eu cheguei aos 4 centímetros de dilatação e as contrações ficaram cada vez mais fortes.

As contrações ficaram muito dolorosas

Eu já estava no hospital desde quarta-feira e praticamente não tinha conseguido descansar.

Estava extremamente cansada.

As contrações vinham aproximadamente de três em três minutos e ficavam cada vez mais fortes.

Eu não conseguia relaxar, não conseguia dormir e sentia muita dor.

Enquanto isso, continuava fazendo cardiotoco para acompanhar os batimentos do João Guilherme.

Até que comecei a perceber que havia algo diferente acontecendo.

Uma alteração nos batimentos do bebê mudou os planos

Em um intervalo de aproximadamente uma hora e meia, fizeram três cardiotocos em mim.

Aquilo me chamou a atenção e achei estranho.

Foi então que o médico veio conversar comigo e explicou:

“Pedi para fazer esse cardiotoco em você porque estou vendo uma alteração no batimento do bebê e isso me preocupa um pouco. Eu te aconselho a fazer uma cesárea.”

Naquele momento, demorei um pouco para assimilar tudo.

Eu tinha me preparado para tentar o parto normal, então não esperava ouvir aquilo naquele momento.

Depois, outra médica plantonista veio conversar comigo e levantou a possibilidade de os batimentos estarem ficando mais fracos durante as contrações porque eu não estaria respirando adequadamente.

Aquilo me deixou bastante incomodada.

Então conversei novamente com o médico e aceitei fazer a cesárea.

A decisão pela cesárea

Isso já era por volta das 5 horas da manhã.

O plantão mudaria às 7 horas, então eu faria a cesárea com a médica que assumiria o próximo plantão.

Quando ela chegou, explicou novamente a situação.

Ela disse que o João Guilherme estava apresentando batimentos muito fracos durante cada contração.

Também explicou que eu poderia tentar continuar no parto normal, mas existia o risco de ele piorar e, no final, ser necessária uma cesárea de emergência, o que poderia trazer riscos para nós dois.

Naquele momento, eu não quis correr esse risco.

Eu já tinha aceitado a possibilidade de uma cesárea e, diante daquela situação, falei:

“Pode preparar a sala. Vamos fazer a cesárea.”

A partir dali, só queria que meu filho nascesse com segurança.

O preparo para a cesárea

A enfermeira me deu um sabonete líquido próprio para que eu pudesse tomar banho e me preparar para o procedimento.

Depois de tantos dias no hospital, eu estava extremamente cansada e desgastada.

Eu também tinha muito medo da anestesia. Morro de medo de injeção e imaginava que ficaria muito nervosa naquele momento.

Mas, para minha surpresa, eu estava tão cansada que praticamente nem senti a anestesia sendo aplicada.

Eu nem sequer senti a raquianestesia como imaginava que sentiria.

Parto cesariana em ambiente hospitalar durante o nascimento do bebê

Às 9h36, João Guilherme nasceu

Por volta das 9h15 ou 9h20 da manhã, fui encaminhada para o centro cirúrgico.

E então chegou o momento que eu nunca vou esquecer.

Às 9h36 da manhã, o João Guilherme nasceu.

Ele nasceu com 3,640 kg e 51 centímetros.

E já nasceu escandaloso!

Chorando, cheio de saúde e grande.

Graças a Deus.

“Agora nós somos pais”

Quando ele nasceu, senti uma mistura muito grande de felicidade e choque.

Era aquele momento em que a ficha realmente cai.

Eu olhei e pensei:

“Caraca… agora nós somos pais.”

Aquele bebê que estava dentro de mim era o nosso filho.

Era o fruto do nosso amor, a nossa junção, uma parte de nós que agora estava ali, diante dos nossos olhos.

E junto com a felicidade veio também aquele choque de realidade.

Agora existia uma responsabilidade enorme.

Era nosso papel criar, educar, dar amor e ensinar para que aquele pequeno ser pudesse crescer e se tornar uma boa pessoa.

Era uma vida inteira começando naquele instante.

Bebê recém-nascido dormindo tranquilamente após o parto

Enquanto eu era fechada, o papai ficou com o João

Depois que o João nasceu, ele ficou comigo por um tempo enquanto a equipe terminava a cesárea.

Depois chamaram o Guilherme para ver o filho.

Eles fizeram as medidas, colocaram o pezinho dele no braço e realizaram os primeiros cuidados.

Como eu ainda estava sendo fechada e o procedimento demorou um pouco para terminar, o João ficou no colo do pai.

E essa é uma das imagens que mais ficou na minha memória.

O Guilherme segurando nosso filho.

E o João olhando para nós, bem quietinho.

Parecia até que estava pensando:

“O que eu estou fazendo aqui?”

“O que está acontecendo?”

“Eu saí do quentinho… saí da minha mãe.”

Meu relato de parto: um nascimento diferente do que eu imaginei

Eu entrei na gravidez com muito medo do parto.

Estudei, me preparei e desejei tentar o parto normal. Mas também aprendi que o nascimento nem sempre acontece exatamente como planejamos.

Meu trabalho de parto começou espontaneamente depois que minha bolsa rompeu. Eu cheguei aos 4 centímetros, tive contrações fortes e, diante das alterações nos batimentos do João Guilherme, a cesárea acabou sendo a decisão tomada naquele momento.

Eu não cheguei a passar pela indução com comprimido ou balão.

E, no final, o mais importante para mim foi ter meu filho nos braços, saudável e cheio de vida.

Foi um momento de muito medo, cansaço, emoção, felicidade e, principalmente, amor.

Aquele dia marcou o momento em que deixamos de ser apenas um casal e nos tornamos uma família.

E essa foi a história do nascimento do nosso João Guilherme.

O relato do parto termina aqui, mas a história da maternidade estava apenas começando.

No próximo post, vou contar como foram os primeiros dias, o puerpério, a recuperação da cesárea e tudo o que vivi depois que o João chegou.

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